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Foto: Divulgação

*Por Arthur Fernandes

O futebol feminino é uma realidade totalmente diferente do futebol masculino, a diferença entre as modalidades vão desde a folha salarial até a condição de treinamento. Há países que são desenvolvidos no futebol para homens e emergentes no futebol para mulheres ou vice-versa.

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Por exemplo, na América do Norte, o futebol masculino é emergente e o futebol feminino desenvolvido, mas, na América do Sul, o mesmo esporte praticado por homens é desenvolvido e a mesma modalidade praticada por mulheres é emergente.

Há diversos fatores que fazem isso acontecer, como: Investimento de empresas, cultura do país, engajamento da população e muito mais. Por isso, convidamos as jogadoras brasileiras Daiane Medeiros, Gabi Pereira, Giovanna Crivelari e Andressa Machry para nos ajudar a compreender melhor o cenário do futebol feminino mundial.

Daiane Medeiros joga no Avaldsnes, que é um time da Noruega. A equipe feminina foi criada em 1989, mas só chegou à primeira divisão do país em 1997. Porém, o time deu uma pausa em suas operações entre 1999 e 2001, voltando as suas atividades em 2002. Atualmente, o Avaldsnes disputa a Toppserien, o principal campeonato feminino da Noruega. Além disso, o time participou das últimas edições da UEFA Women’s Champions League.

A Toppserien é a primeira divisão do futebol feminino norueguês. Sendo assim, a liga é composta por 12 times, como: Arna-Bjørnar, Avaldsnes, Grand Bodø, Klepp, Kolbotn, LSK Kvinner, Medkila, Røa, Sandviken, Stabæk, Trondheims-Ørn e Vålerenga. A Toppserien tem 22 rodadas, entretanto, a temporada começa em abril e termina em outubro.

“É um futebol mais intenso e objetivo, os jogos são muito pegados e os times são todos no mesmo nível. Aqui há muitas qualidades, por exemplo, a estrutura, o salário, os locais de treinamento, porém, o mais importante é o modo como eles valorizam o futebol feminino. Todo os jogos tem torcida, independente se o jogo é em casa ou não, eles sentem amor pelo futebol feminino. A estrutura é muito boa, pois temos casa, alimentação e carro. O local de treinamento é muito bom, porque há 3 campos de futebol, sendo: 2 de Society e 1 de grama natural. Vestir a camisa desse time é uma honra, afinal, estamos falando do segundo melhor time da Noruega. É uma experiência incrível fazer parte dessa equipe”, disse Daiane Medeiros.

Giovanna Crivelari joga no Gyeongju WFC, que é um time da Coréia do Sul. A equipe sul-coreana começou a jogar na primeira divisão do país recentemente. Somente 8 times participam da WK League, o principal campeonato de futebol feminino da Coréia do Sul, como: Incheon Hyundai Steel Red Angels, Icheon Daekyo, Gyeongju WFC, Seul, Boeun Sangmu, Suwon Facilities Management Corporation, Hwacheon Korea Sports Promotion Foundation e Gumi Sportstoto. Durante a temporada regular, cada time disputa 24 jogos no total. O segundo e o terceiro colocado nesta fase disputam um mata-mata entre si, sendo assim, o vencedor disputa o título da liga contra o primeiro colocado. A WK League é a única liga profissional de futebol feminino no país, logo, não há sistema de acesso e rebaixamento.

“O futebol feminino na Coreia do Sul é bastante valorizado. A cultura asiática é o grande diferencial deles. Podemos destacar diversas qualidades, como: os métodos de trabalho, disciplina, valorização salarial, excelente estrutura e qualidade de vida. Fica até difícil de identificar alguns defeitos, simplesmente por ter tantas qualidades. A estrutura que temos aqui é algo espetacular. Vivemos muito bem. Temos um apartamento novo para morarmos, almoçamos e jantamos em restaurantes de muita qualidade, temos transporte para os treinos, há excelentes campos à disposição, academia e piscina. O Gyeongju é um time novo na liga, foi inserido esse ano na competição e eu me sinto extremamente honrada em poder participar desse momento”, destacou Giovanna Crivelari.

Gabi Pereira joga no Santos. Conhecidas como Sereias da Vila, o Santos inaugurou a sua equipe feminina em 1997, mas o primeiro título só foi conquistado em 2000, quando as meninas conquistaram os Jogos Abertos do Interior. Entre 2009 e 2012, a equipe feminina santista foi considerada a mais forte do Brasil, pois tinha em seu elenco as jogadoras Marta e Cristiane, além disso, o clube serviu de base para a Seleção Brasileira, afinal, o time do litoral paulista teve 11 jogadoras convocadas de uma vez só. As Sereias da Vila acabaram fechando as portas em 2012, mas voltaram as atividades em 2015. Os principais títulos das Sereias da Vila, são: Torneio Interclubes (2011), Libertadores (2009 e 2010), Copa Mercosul (2006), Campeonato Brasileiro (2017), Copa do Brasil (2008 e 2009) e Campeonato Paulista (2007, 2010 e 2011).

Em 2013, a CBF fez a primeira edição do Campeonato Brasileiro Feminino com 20 equipes. Porém, em 2017, com o cancelamento da Copa do Brasil de Futebol Feminino, a confederação alterou a fórmula de disputa da competição, entretanto, criou a Série A1 com 16 equipes e a Série A2 também com 16 equipes havendo acesso e rebaixamento. Sendo assim, as seguintes equipes disputaram a Série A1 em 2017: Santos, Corinthians, Iranduba, Kindermann, Audax, Sport, Vitória (Pernambuco), São Francisco, Grêmio, Rio Preto, Flamengo, Ferroviária, Foz Cataratas, São José, Ponte Preta e Vitória (Bahia). Porém, os seguintes times participaram da Série A2 em 2017: Pinheirense, Tiradentes, Tuna Luso, Viana, Duque de Caxias, JV Lideral, Naútico, Mixto, Portuguesa, Caucaia, América-MG, Adeco, Cresspom, Aliança, UDA e Botafogo da Paraíba.

“O futebol feminino no Brasil ainda é carente de apoio, incentivo e mídia. Temos como qualidade a variedade de meninas ótimas na modalidade e a vontade de fazer dar certo, mas como defeito é não termos incentivo e apoio algum para seguir em frente. O Santos é o maior incentivador do feminino no Brasil, a estrutura vai além de muitas no país. O clube oferece alimentação, carteira assinada, centro de treinamento, transporte e algumas outras vantagens. Vestir esse manto sagrado é uma realização de um sonho, pois chegar até aqui já é um grande avanço para mim, tem muitas outras meninas querendo estar no meu lugar e eu tenho que honrar e agradecer por estar aqui”, comentou Gabi Pereira.

Andressa Machry, mais conhecida como Andressinha, foi recentemente anunciada como jogadora do Iranduba no Brasil, mas a sua última equipe foi o Houston Dash, time dos Estados Unidos onde ela jogou durante 3 anos. O Houston Dash é a equipe feminina do Houston Dynamo (time masculino), que disputa a Major League Soccer. A franquia de futebol feminino disputa a NWSL, que começa em abril e termina em setembro. A liga é considerada como a primeira divisão dos Estados Unidos e apenas 10 times participam do campeonato, como: Boston Breakers, Chicago Red Stars, FC Kansas City, Houston Dash, North Carolina Courage, Orlando Pride, Portland Thorns, Seattle Reign, Sky Blue e Washington Spirit. As 4 equipes com maior pontuação na temporada regular avançam para os playoffs, onde jogam a semifinal e a final para decidir quem ganhará o título da temporada. Não há acesso e rebaixamento na NWSL.

“O futebol feminino nos Estados Unidos é muito desenvolvido. As meninas começam a jogar desde os 9 anos de idade ou até mesmo antes, sendo assim, elas vão tendo treinamentos específicos e uma sequência até chegar no profissional. A estrutura das equipes na NWSL são muito boas, pois eles dão bastante suporte para as atletas, principalmente para as internacionais. Bom, já os defeitos, eu vejo que todos os anos ao final de cada temporada eles tentam escutar ao máximo o que as jogadoras querem falar e tentam melhorar a cada ano. Inclusive, são criados grupos em cada equipe, contendo uma porta-voz, para poder repassar para a NWSL o que precisa ser melhorado. Isso é muito importante. O único defeito é o fato do calendário ser um pouco curto, pois são apenas 7 meses e se fosse um pouco maior seria perfeito. A estrutura do Houston Dash é muito boa porque as atletas ocupam a mesma estrutura do time masculino, como por exemplo, o campo de treinamento, o estádio e para as atletas internacionais eles oferecem um carro e um apartamento. Então, a estrutura é boa. Eu joguei 3 temporadas lá, eu criei um carinho pela cidade e pela torcida”, falou Andressa Machry.

Podemos concluir que a cultura, investimento, apoio e entre outros fatores são fundamentais para o desenvolvimento do futebol feminino mundial. Podemos observar que a Europa, Ásia e América do Norte são mais desenvolvidos do que a América do Sul. Porém, o continente sul-americano é bastante promissor, basta melhorar em alguns conceitos.