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Foto: Freddy Perez/AFP

Infelizmente a questão do preconceito racial ainda é um grande problema a ser resolvido em diversos pontos da sociedade e o futebol não passe ileso a isso. O último a sofrer com esse triste cenário foi o atacante brasileiro Serginho, do Jorge Wilstermann.

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Em partida realizada no último domingo (17) pelo Apertura da Bolívia diante do Blooming na cidade de Santa Cruz de la Sierra, o jogador demonstrou bastante irritação com a situação e resistiu até os 40 minutos da etapa complementar. Nesse momento, quando estava prestes a cobrar um escanteio, ele decidiu por abandonar o terreno de jogo.

Depois do confronto que terminou 2 a 0 para o Aviador, o companheiro argentino da equipe de Serginho, Cristian Chávez, deu entrevista em apoio ao ato do brasileiro e confirmou que as ofensas racistas já duravam desde o primeiro tempo ao diário local El Deber:

“Essas coisas externas ao jogo são tristes. Não me surpreende que Serginho tenha deixado o campo, porque estava sendo insultado desde o primeiro tempo pela torcida.”

Cristian Latorre, jogador do Blooming, e o treinador do time anfitrião, Erwin Sánchez, também falaram em tom de condenação as atitudes racistas de parte dos torcedores no estádio Ramón Tahuichi Aguilera.

“Eu repudio o racismo, mas essas são coisas que fogem das nossas mãos, dos jogadores. Fico com pena pelo que aconteceu. É lamentável”, disse Latorre.

“Sou sempre contra o racismo. Fiquei 20 anos fora e volto para sentir isso. Veremos o que fazer junto ao clube”, pontuou Sánchez.

Até mesmo o presidente da Bolívia, Evo Morales, demonstrou sua solidariedade a situação e postou em sua rede social oficial uma mensagem de apoio a Serginho:

“A nossa solidariedade com Serginho, jogador do Wilstermann que abandonou ontem o campo em modo de protesto depois de receber insultos racistas por parte de torcedores maus. O futebol é um esporte que une os povos, não devemos permitir que ele seja manchado com esses atos discriminatórios.”