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Foto: Reuters

*Por Juliano Rangel

Desejo de muitos clubes sul-americanos, o troféu da Copa Libertadores será erguido pela 59ª vez no próximo dia 24 novembro por Boca Juniors ou River Plate. Mas você conhece a história dessa taça que é o verdadeiro símbolo da competição desde a primeira edição que foi disputada em 1960? O Futebol Latino conta mais sobre essa história.

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O objeto tão sonhado por várias equipes foi criado em 1959, após um pedido do então presidente da Conmebol, Fermín Sorhueta, ao membro do Comitê Executivo da entidade, Teófilo Salinas. Sorhueta já estava com a ideia de criar uma competição para os clubes do continente em 1960.

O troféu foi desenhado na cidade Lima, capital do Peru, na Joalheria Camusso, pelo funcionário Dom Alberto de Gásperi. Imigrante italiano, que se fixou em Lima nos anos de 1940, Gásperi era engenheiro e contou com a colaboração de 12 artesões da joalheria para dar vida ao troféu.

Dom Alberto de Gásperi / Reprodução: Conmebol

Inicialmente, ficou definido que os clubes que vencessem o torneio três vezes de forma consecutiva teriam o direito de ficar com a taça de forma definitiva.  A primeira estrutura do objeto consistia em 63 centímetros de prata esterlina, tendo no topo uma figura composta de bronze, que representa um jogador de futebol se preparando para chutar uma bola.

A metade superior do globo, logo abaixo do jogador levava os dez brasões dos países membros da Conmebol e, na barra do meio da esfera, era localizada a inscrição “Campeonato de Campeones de Sudamerica”.

Com o tricampeonato conquistado pelo Estudiantes, entre 1968 e 1970, a equipe argentina ficou com a posse definitiva do troféu. Logo, para a edição de 1971, a Conmebol teve que adquirir uma nova taça, que apresentou algumas modificações que seguem presentes no troféu que é utilizado até os dias de hoje.

O objeto passou a contar em sua estrutura com um pedestal de madeira de cedro, onde são fixadas as pequenas placas de metal que apresentam o nome do clube vencedor, o ano daquela conquista, a nação de origem da equipe, além do escudo do time.

Reprodução: Youtube

Para a edição de 1974, um terceiro troféu – que é o utilizado até os dias atuais -, foi confeccionado, já que o Independiente também faturou o tricampeonato do torneio entre 1972 e 1974. Com a mudança, a organização também substituiu a antiga inscrição “Campeonato de Campeones de Sudamerica” por “Copa Libertadores” que aparece no meio da esfera.

Inicialmente, os clubes vencedores eram responsáveis pela confecção das pequenas placas de metal, o que causou durante anos uma falta de padronização, com as placas apresentando vários tamanhos e cores. Em 2009, houve essa padronização, com a Conmebol ficando responsável pela produção e fixação das placas (nas cores prata e com tamanho único) logo após a conquista do título.

O pedestal também passou por modificações em 1981 e 2004, com essa última modificação consistindo na substituição para uma madeira de cor mais clara e com a ampliação da base para aumentar capacidade de abrigar as placas de todos campeões.

De acordo com Conmebol, a troféu possui 10 quilos e 25 gramas contando com o pedestal, uma altura de 99 centímetros, distribuída em 63 centímetros de prata 925, da mais pura, e 35 centímetros de madeira de cedro. Na taça, estão escritos os nomes dos 24 que já venceram a competição.

Acidentes e réplicas

(Photo by Helio Suenaga/LatinContent/Getty Images)

Durantes as 58 edições do torneio que já foram realizadas, alguns acidentes e avarias com o troféu já aconteceram, o que fizeram com que a Conmebol tomasse diversos cuidados, como por exemplo, só utilizar as réplicas da taça.

Nas comemorações do título de 1983, o zagueiro e capitão do Grêmio, Hugo de León, ergueu o troféu e depois enfiou a própria cabeça no vão da base do objeto. Na parte interior da estrutura havia um prego, que cortou a testa do uruguaio. Hoje, esse buraco não existe mais.

Já em 2004, na festa do título inédito do Once Caldas, o jogador Herly Alcázar deixou o objeto cair, o que provou a destruição da parte superior da esfera. Isso exigiu um processo de restauração do troféu.

Desde 2007, a instituição não utiliza mais o troféu original nas cerimônias de premiações, apenas oferta ao vencedor uma réplica. Outros acidentes ocorrem em 2009 e 2012, esse último durante as comemorações dos jogadores do Corinthians, quando o jogador que fica no topo da taça acabou caindo e a réplica teve que ser arrumada em uma prataria da cidade de São Paulo.

Segundo especialistas, com a atual estrutura da taça deverá ser possível fixar 63 pequenas placas de metal, o que garante a possibilidade de utilização do objeto até a edição de 2022. Eles sugerem que o ideal seria a substituição da base de madeira estendida, a fim de ampliar o número de placas fixas no troféu.