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Fonte: Getty Images

*Por Tiago Emanuel

A decisão do Campeonato Intercontinental de 1999 teve como protagonistas Palmeiras e Manchester United. A partida decisiva aconteceu em Tóquio, no dia 30 de novembro, e reuniu ídolos de dois países amantes do futebol. As duas equipes vinham conquistando títulos com frequência em seus países e fizeram uma disputa acirrada pela Taça.

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Os palestrinos haviam se credenciado à competição através da Libertadores daquele ano, mas já haviam vencido a extinta Copa Mercosul em 1998. O pesado investimento da Parmalat surtia seus efeitos há alguns anos e a equipe era incansável na busca de títulos nacionais. Com a empresa injetando recursos, o Palmeiras venceu Campeonatos Brasileiros (93 e 94), Copa do Brasil (98) e Estaduais (93, 94 e 96).

No lado do United o domínio em terras inglesas era ainda mais latente. Com Alex Ferguson no comando, os Devils chegaram ao topo do futebol local. No mundial de 99, a equipe estava em plena ascensão. Entre 1992 e 1999 os Fergie’s Boys faturaram 5 canecos da Premier League, sendo que mais 8 ainda viriam sob a batuta do escocês. Campeão pela segunda vez da Champions em 1999, o United confirmou as expectativas e viu o mundo a seus pés pela primeira vez.

O gol vitorioso foi marcado pelo capitão Roy Keane, aos 35 do primeiro tempo. Apesar de não figurar na lista por ter começado a partida no banco, o trinitino Dwight Yorke foi o único jogador das Américas pelo lado do Manchester United. O atacante jogou o segundo tempo, ocupando a vaga de Solskjaer.

Confira a lista dos titulares das duas equipes e como seguiram suas carreiras após o Intercontinental.

Palmeiras

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Marcos – O maior ídolo da História recente do clube, São Marcos defendeu o Palmeiras por 20 anos. Titular no Penta de 2002, Marcos viveu seu auge na seleção, demonstrando segurança e liderança aos colegas. Mesmo em meio a dificuldades, como o rebaixamento palestrino no Brasileiro de 2002, Marcos nunca deixou a equipe, mesmo quando as propostas chegavam. Na parte final de sua carreira, as lesões passaram a ser mais frequentes. No início de 2011, aos 37 anos, Marcos anunciou sua retirada do futebol profissional.

Arce – o aguerrido lateral direito chamou a atenção quando chegou ao Grêmio em 1995, vindo do Cerro Porteño. Com o tricolor gaúcho, venceu Libertadores, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Gauchão, sob a batuta de Felipão. Quando o técnico trocou o Grêmio pelo Palmeiras, levou junto o lateral. Arce atuou no clube até 2002, quando saiu para jogar no japonês Gamba Osaka. Encerrou a carreira no Libertad e no 12 de Octubre do Paraguai. Em 2009 tornou-se treinador profissional e atualmente dirige a seleção nacional pela segunda vez.

Júnior Baiano – pilar da zaga palmeirense ao lado de Roque Júnior, o atleta teve passagens marcantes pelo Flamengo. Logo após o Mundial, deixou o Palmeiras para jogar no Vasco. No cruzmaltino, conquistou o estadual, a Copa Mercosul e o Brasileiro de 2000. Rodou por vários clubes brasileiros e também no Shanghai Shenhua da China até se aposentar em 2009.

Roque Júnior – em 95, quando chegou ao Palmeiras, Roque ainda era um garoto. Vivenciou as glórias do verdão até 2000, quando foi à Itália jogar no Milan. Pelos rossoneros, atuou até 2007, mas a alta concorrência de Costacurta, Nesta e Maldini fez com que ele não se tornasse unanimidade. Jogou também na Alemanha e no Catar antes de encerrar a carreira em 2010 pelo Ituano. Foi companheiro de Marcos e do lateral Júnior na equipe pentacampeã em 2002.

Júnior – o lateral esquerdo do Palmeiras na ocasião passou cinco anos no clube, até 2000, antes de ter seu passe adquirido pelo Parma. Atuou na Itália até 2004 antes de retornar ao Brasil. Pelo São Paulo venceu a Libertadores e o Mundial de 2005, além de ser tri-campeão brasileiro pelo tricolor. Já no final de carreira, teve passagens apagadas por Atlético/MG e Goiás, onde se aposentou em 2010.

César Sampaio – o volante palestrino atuou pelos 4 grandes clubes paulistas ao longo de sua carreira. Sampaio venceu a Copa América e a Copa das Confederações em 1997 com a seleção, além de ser titular na Copa de 1998. Saiu do Palmeiras em 2000 para o La Coruña, onde atuou até 2001. No final de carreira, ainda jogou por Corinthians, Kashiwa Reisol, Sanfrecce Hiroshima e São Paulo. Após aposentar-se, atuou como Gerente de Futebol do Palmeiras.

Galeano – totalmente identificado com o Palmeiras, onde atuava desde 1989, Galeano representava parte da torcida em campo. O defensor ficou no verdão até 2002, somando quase 500 partidas pelo clube. Após sua saída, rodou por clubes como Botafogo, Bahia, Figueirense e Ponte Preta, sempre com sua raça habitual, mas sem a identificação com a torcida que o fez ídolo palmeirense. Encerrou a carreira em 2009 pelo Ituano.

Zinho – capitão da equipe na final do Mundial, o tetracampeão teve três passagens pelo clube. Respeitado por sua história na equipe e na seleção, Zinho fez mais de 300 jogos com a camisa verde. Quando saiu do Palmeiras, foi campeão da Copa do Brasil em 2001 pelo Grêmio. Próximo do final de sua carreira, venceu a Tríplice Coroa com o Cruzeiro, em 2003. Atuou ainda por Flamengo, Nova Iguaçu e Miami FC antes de se aposentar. Atualmente, é assistente técnico no Vasco da Gama.

Alex – Cérebro do time e pensador de jogadas junto de Zinho, Alex é lembrado com carinho pelo torcedor palmeirense. O gol em Rogério Ceni no ano de 2002, com direito a dois chapéus, rendeu-lhe uma placa no Morumbi. Alex também é venerado pelos cruzeirenses, clube no qual reeditou parceria com Zinho, vencendo tudo que podia em 2003. Por fim, foi celebrado no Fenerbahce da Turquia, equipe que defendeu por oito anos. Em 2013, voltou ao Coritiba, sua primeira equipe, para se aposentar em 2014. Alex venceu as Copas América de 1999 e 2004 pela seleção brasileira. Atualmente, é comentarista do canal ESPN.

Asprilla – Um dos atletas trazidos pelos investimentos da empresa de laticínios, Faustino Asprilla já era ídolo na seleção colombiana, assim como no Parma. Pelos italianos, venceu uma Copa da Itália (98-99) e duas Copas da UEFA (94-95 e 98-99). Asprilla atuou pelo verdão até o fim de 2000, quando trocou a equipe pelo Fluminense. Encerrou sua carreira em 2004, após rodar por Atlante (MEX), Atlético Nacional, Universidad de Chile e Estudiantes. Por sua seleção, disputou as Copas de 1994 e 1998.

Paulo Nunes – o Diabo Loiro brilhou para o mundo com o Grêmio, entre 1995 e 1997, mas foi revelado pelo Flamengo. Com os gaúchos, venceu Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores, Recopa e Gauchão, fazendo dupla com o lendário Jardel. Chegou ao Palmeiras em 1998 e firmou-se como titular da equipe até o final de 1999. Teve uma segunda passagem no Grêmio e perambulou por Corinthians, Gama, Al Nassr e Mogi Mirim, até encerrar a carreira em 2003. Disputou apenas uma competição oficial pela seleção, a Copa América de 1997.

Manchester United

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Mark Bosnich – o arqueiro australiano havia retornado ao United em 1999 para substituir o lendário Peter Schmeichel. A árdua tarefa foi cumprida na temporada 99/00, pegando tudo na final do Mundial, mas na época seguinte, viu Alex Ferguson optar pelo franchês Barthez no gol vermelho. O Intercontinental foi o maior título da carreira do goleiro, que defendeu o Chelsea entre 2001 e 2003. Bosnich retornou da aposentadoria entre 2008 e 2009 para defender o Central Coast Mariners e o Sydney Olympic na A-League. O arqueiro foi considerado o melhor goleiro da Oceania no século passado em uma premiação concedida em 1999.

Gary Neville – lendário lateral direito do United e da seleção inglesa, atuou a vida toda na equipe de Manchester, de 1992 a 2011, quando deu adeus aos gramados. Com os Red Devils foram 12 Premier Leagues (dez delas como titular), 4 Copas da FA, 3 Copas da Liga Inglesa, duas Champions League e dois Mundiais de Clubes. Neville mantém alguns negócios na Inglaterra e é acionista do Salford City, junto de seus ex-companheiros Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt e seu irmão, Phil Neville.

Mikaël Silvestre – o zagueiro foi outro defensor a passar longos anos na equipe de Manchester. Entre 1999 e 2008 foram mais de 200 partidas pelos Red Devils. Foi titular absoluto até a temporada de 2002-2003, quando perdeu espaço para Rio Ferdinand e o recém-chegado Nemanja Vidić. Atuou ainda por Arsenal, Werder Bremen, Portland Timbers e Chennaiyin, onde encerrou a carreira em 2014.

Jaap Stam – o defensor holandês saiu de Manchester no início da temporada 2001-2002. A suspeita é que Alex Ferguson não gostou de uma autobiografia publicada por Stam, na qual teria dito que a aproximação de Sir Alex para contratá-lo foi sem a permissão do PSV. O gigante de 1,91 foi vendido por 15 milhões de libras à Lazio. Na Itália ainda jogou no Milan, antes de defender o Ajax, sua última equipe, em 2006-2007.

Denis Irwin – reconhecido por Sir Alex Ferguson como uma de suas melhores contratações da história no United, Irwin atuou de 1990 a 2002 nos Red Devils. Titular absoluto na seleção da Irlanda, seu país natal, disputou a Copa de 1994 nos Estados Unidos. Quando deixou o United, ainda jogou duas temporadas pelo Wolverhampton, aposentando-se em 2004.

Roy Keane – o homem que ergueu a primeira conquista mundial do United foi o irlandês Roy Maurice Keane. À época, com 28 anos, era um dos mais respeitados do elenco vermelho, sendo o sucessor de Eric Cantona na liderança da equipe. Em novembro de 2005, o volante deixou o Manchester, após 12 temporadas e mais de quase 500 partidas a serviço do time. Keane jogou um ano no Celtic da Escócia antes de pendurar as chuteiras.

Nicky Butt – o companheiro de Keane na contenção defensiva dividiu sua carreira entre o United e o Newcastle. No Manchester por 12 anos, disputou 387 partidas, deixando a equipe ao final da temporada 2003-2004. Experiente, tornou-se referência no meio campo dos Magpies até 2010. Em sua última aparição profissional, defendeu o South China até maio de 2011. Butt é atualmente técnico do sub-19 do United.

David Beckham – sem sombra de dúvidas, Beckham foi o atleta mais bem-sucedido financeiramente naquela final. Seus contratos profissionais e publicitários sempre incluíram grandes cifras, mas o meia sempre deu retorno aos investimentos dentro e fora de campo. Beckham deixou o United em 2003 para jogar no Real Madrid, por 35 milhões de Euros. No elenco merengue, fez parte de um grupo Galático, ao lado de Zidane, Figo, Raul, Roberto Carlos e Ronaldo Fenômeno. Venceu uma Liga Espanhola e uma Supercopa da Espanha. Em 2007 rumou para os Estados Unidos a convite do LA Galaxy, sendo motivo para a criação dos DP’s (conhecida como a Lei de Beckham). Na MLS venceu três vezes o campeonato da Conferência Oeste e duas vezes a MLS Cup. Encerrou sua carreira no PSG da França, em 2013, sendo campeão da Ligue 1.

Ryan Giggs – outro nome gigante na História do Manchester United, Giggs é simplesmente o atleta que mais venceu títulos no futebol, são ao todo 34. Foram 24 anos a serviço do Manchester (1990-2014), 963 partidas e mais de cem gols. Recordes como o número de assistências pela Premier League (116) e número de temporadas seguidas na competição (22) mostram a importância de Giggs a nível mundial. Ryan foi condecorado em 2007 com a Ordem do Império Britânico. Pela seleção de Gales, nunca conseguiu levar a seleção a uma competição internacional, mas foi capitão do time da Grã-Bretanha na Olimpíada de 2012. Ao final da temporada 2013-2014, Giggs deixou o futebol.

Paul Scholes – o gigante de 1,68 marcou época no Manchester United e na seleção inglesa. Sua relação é de tanto carinho e proximidade que deixou a aposentadoria em 2012 para jogar uma última temporada com os Red Devils. Pela equipe, foram 718 partidas, somente atrás do companheiro Giggs e de Sir Bob Charlton. Sua polivalência na transição defesa-ataque rendeu muitas alegrias à torcida vermelha.

Ole Gunnar Solskjær – único atleta do norte europeu naquela final, Ole Gunnar jogou até os 34 anos no Manchester, aposentando-se do futebol em 2007. Foi treinador da equipe B do United por três temporadas, tornando-se depois treinador efetivo do norueguês Molde (2011-2014 e desde 2   015), também passando pelo Cardfiff em 2014. O centroavante disputou 364 partidas pelo Manchester e anotou 127 gols.