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Foto: Divulgação

*Por Agência Conversion

“Preciso conversar com minha família”, respondeu o atacante argentino José “Pepe” Sand, do Lanús, horas depois do seu time perder a final da Copa Libertadores da América para o Grêmio em Buenos Aires – com um gol dele – ante a pergunta de um jornalista sobre sua carreira no futebol.

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Em dezembro de 2015, quando retornou ao clube onde havia alcançado o maior sucesso da carreira, ele já tinha 35 anos. Em julho passado, completou 37, mesmo mês em que assumiu a ponta da tabela da artilharia do torneio para não sair mais. Foram nove gols em 14 jogos, um a mais do que Ignacio Scocco, do River Plate, Luan, do campeão Grêmio, e do boliviano Alejandro Chumacero, do The Strongest.

Nas últimas edições da Libertadores, os artilheiros não passaram dos nove gols: Em 2016, o argentino Jonathan Calleri, do São Paulo, fez os mesmos nove. Em 2015, o também argentino Gustavo Bou, então no Racing, fez oito. No ano anterior, o goleador foi o paraguaio Julio dos Santos, do Cerro Porteño, com cinco gols. Enfim, em 2013, a artilharia foi do brasileiro Jô, do campeão Atlético Mineiro, com sete. A última vez que o torneio teve um artilheiro com mais de nove gols foi em 2007, quando o paraguaio Salvador Cabañas, do América do México, terminou a competição com 10 tentos.

Ídolo do Lanús por causa de sua primeira passagem, entre 2007 e 2009, quando foi artilheiro do Apertura duas vezes – 15 gols em cada edição – e conquistou o primeiro título nacional da história do clube, ele retornou desacreditado em 2015. O sucesso na Argentina o fez ser vendido ao Al-Ain, dos Emirados Árabes, por US$ 10 milhões, em 2009. “Estava acomodado no Lanús”, disse em sua apresentação à época. Estava perto dos 30.

Sua trajetória, porém, nunca mais foi a mesma fora do Lanús: emprestado ao Deportivo La Coruña, da Espanha, em 2011, ficou seis meses no clube e não fez nenhum gol, sendo devolvido ao Al-Ain por um custo de 500 mil euros de multa. Fora dos planos também do clube árabe, foi negociado em definitivo com o Tijuana, do México, onde também não teve sucesso. “As pessoas lá não chegaram a me conhecer muito bem”, admitiu em uma entrevista no último fevereiro. “Eu queria ter tido um tempo mais longo no futebol mexicano”, completou.

A volta ao futebol argentino se deu em 2012, pelo Racing, que também trouxe de volta naquele ano o meia Mauro Camoranesi e depositava esperanças no atacante Centurión, então considerado a grande revelação do país. Sand era só parte de um elenco estrelado – tanto que o técnico à época, Luis Zubeldía, chegou a chamá-lo de “Deus” -, mas estreou perdendo dois pênaltis em um empate contra o modesto Atletico Rafaela. No final daquele ano, Sand deixou o time de Avellaneda pela portas dos fundos: Seus dois gols em 24 jogos fizeram-no ser considerado velho. Tinha 32 anos.

Como é comum também no futebol brasileiro, seu status de medalhão ainda o fez rodar por clubes menores da Argentina: Passou pelo Tigre, pelo Boca Unidos, da Série B local, e pelo Aldosivi, clube da cidade de Mar del Plata que se aventurou na primeira divisão em 2015, antes de chegar ao Lanús.

Até acertar com o clube onde brilhou, chegou a ter que treinar sozinho. Segundo os os jornais argentinos, ele dobrou sua carga de exercícios nas semanas de folga do Aldosivi e contratou um nutricionista e um psicólogo particulares. Até acertar sua volta ao Lanús, naquele dezembro de 2015, cuja apresentação faz parte das lendas futebolísticas argentinas: Chamado de “Deus” pelo presidente, Nicolás Russo, Sand chorou copiosamente aos microfones antes de dizer que se aposentaria no clube.

“Ele só joga no Lanús”, conta o jornalista esportivo argentino Chris Sanders ao Futebol Latino. “Desde o seu início nas categorias de base do River Plate, onde é até hoje um dos grandes artilheiros, nunca mais fez nada fora de La Fortaleza”, completa ele se referindo à forma como o estádio do Lanús é conhecido. Apesar do futebol não ser uma ciência exata, ele não deixa de ter razão: Meses depois de chegar, Sand foi o artilheiro do Campeonato Argentino, com 15 gols em 17 jogos, dando outra vez o título nacional à equipe grená.

Mais do que isso, Sand está perto de registrar seu nome em um dos lugares mais altos da história do clube da Grande Buenos Aires: em 154 partidas, já foram 104 gols marcados. Faltam 16 para atingir a marca de Luis Arrieta, o maior goleador da existência do Lanús, que tem 120 gols. Ele já é, portanto, o segundo jogador que mais fez gols com a camisa do time.

Por tudo isso, a dúvida sobre a continuidade da carreira do centroavante atinge não apenas a ele, mas também aos torcedores. “Não me imaginava perder essa final”, disse ele após o jogo contra o Grêmio, em La Fortaleza. “Mas também nunca imaginei que chegaria nela com 37 anos e que seria o artilheiro da Libertadores”, completou, aumentando o ar de indecisão. Todos seguem à espera.

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