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Foto: Divulgação

*Por Agência Conversion

No final do mês passado, no Rio de Janeiro, realizou-se o sorteio da Copa América de 2019. Os países conheceram seus adversários no campeonato que acontecerá entre meados de junho e os primeiros dias de julho. Mais uma vez, como acontece desde 1993, há seleções convidadas.

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No Brasil, os dois países chamados para participar são o Japão e o Catar. Os vínculos da Conmebol com os cataris cresceram nos últimos anos, não apenas por causa da Copa do Mundo de 2022, que será sediada na pequena nação do Oriente Médio, mas porque a entidade sul-americana ainda pretende trazer o Mundial de 2030 ao continente. O Catar, vale lembrar, esteve perto de receber a final da Copa Libertadores da América, entre River e Boca, que acabou acontecendo no Santiago Bernabéu, em Madrid.

O Catar, aliás, vive boa fase: O time ganhou do Japão por 3 a 1, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, e conquistou pela primeira vez em sua história o título da Copa da Ásia.

Já o Japão vai jogar a Copa América pela segunda vez desde que estreou na competição em 1999. Naquele ano, a Conmebol chamou também a seleção sul-coreana, já que os dois países sediaram o Mundial de 2002. Os japoneses não foram bem: Perderam do Peru e do Paraguai e conseguiram apenas um empate contra a fraca Bolívia.

A Copa América volta ao Brasil exatamente 30 anos depois da última edição brasileira: Em 1989, a Seleção venceu o Uruguai por 1 a 0 em um Maracanã com 132 mil pessoas e garantiu seu quarto título do torneio. As passagens ao Rio de Janeiro devem começar a crescer já em maio, acreditam autoridades da cidade.

O mais curioso com o Japão aconteceu na Copa América da Argentina, em 2011. A seleção asiática tinha sido convidada junto com o México, mas declinou logo depois que um grande terremoto e o posterior tsunami atingiram a ilha nipônica naquele ano, sem contar a destruição da usina nuclear de Fukushima.

Tempos depois, o Japão decidiu voltar atrás e disputar o torneio na América do Sul, mas desistiu outra vez, provocando a fúria da Conmebol, que ensaiou reclamar pelos acordos comerciais que tinham sido firmados antes. Para substituir os japoneses, a Costa Rica foi convidada às pressas.

Segundo o jornal O Globo, os convites também têm o propósito de facilitar a montagem dos grupos, sem prejudicar o número de jogos nem a disputa dos mata-matas. A ideia original da Conmebol em 2019 era ter seis países de fora da América do Sul: Portugal, Espanha, México e EUA foram cogitados, mas os europeus declinaram antes mesmo dos convites. Os EUA responderam que estão se preparando para a Copa Ouro, que reúne seleções da América do Norte e Central.

Os convidados da Copa América

Desde 1993, a Copa América convida seleções, quase sempre da Concacaf e com a presença ininterrupta do México desde aquele ano até a edição centenária, em 2016. Em 2019, tanto os mexicanos quanto os estadunidenses, que sediaram aquele torneio, recusaram os convites para jogar no Brasil. Por isso, a Conmebol chamou o Japão e o Catar.

Em 1993, México e EUA estiveram no torneio disputado no Equador e, para surpresa de muitos, os mexicanos chegaram à final, perdendo da Argentina por 2 a 1. Os dois países voltaram a disputar o campeonato sul-americano em 1995, no Uruguai, com novas surpresas: Os estadunidenses fizeram 3 a 0 na Argentina, mas caíram para o Brasil nas semifinais, por 1 a 0.

Em 1997, na Bolívia, os convidados foram o México e a Costa Rica e, em 1999, no Paraguai, o Japão ocupou o lugar dos mexicanos. Foi a primeira vez na história que um país não americano disputou o torneio de seleções mais importante do continente. Dois anos depois, na Colômbia, México e Costa Rica voltaram a ser os chamados pela Conmebol, em um torneio marcado pela ausência da Argentina, que argumentou temer pela falta de segurança no país-sede, e pela decisão da CBF de enviar um time repleto de reservas para o país vizinho.

Para o lugar da Argentina, o Canadá foi chamado, mas desistiu depois que não conseguiu reunir todos os jogadores a tempo. Assim, o convite foi estendido a Honduras, que topou a missão de reunir uma seleção em 48 horas.

Em 2004, no Peru, o México e a Costa Rica voltaram a ser os convidados e, em 2007, os EUA voltaram a participar de uma edição da Copa América no lugar dos costa-riquenhos. O torneio, disputado na Venezuela, quase não teve a presença dos estadunidenses: Em um primeiro momento, a federação do país recusou o convite para tentar resolver um conflito que a MLS passava à época.

México e Costa Rica ainda estiveram em 2011, na Argentina, depois do entrevero com o Japão, mas em 2015, os mexicanos vieram acompanhados de novatos: no torneio do Chile, a Jamaica participou pela primeira vez da Copa América.

Os convites originais tinham sido feitos a China e Japão: Os japoneses desistiram rapidamente como retaliação ao que havia acontecido em 2011, na Argentina, mas os chineses toparam de cara. O problema aconteceu quando, tempos depois, o calendário das eliminatórias da Ásia para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, foi modificado.