serginho-da-entrevista-pela-primeira-vez-falando-sobre-caso-de-racismo-Futebol-Latino-21-03
Foto: Rodney Costa/Gazeta Press

Em declaração dada a imprensa nessa quinta-feira (21), o meia atacante do Jorge Wilstermann, Serginho, falou pela primeira vez sobre o ato de racismo que sofreu no último final de semana em jogo do Apertura na Bolívia frente ao Blooming.

Leia mais: Peru mede forças com o renovado Paraguai em amistoso nos EUA
Carlos Queiroz começa trajetória na Colômbia em amistoso diante do Japão

Para ele, além de naturalmente ter se sentido muito mal com as ofensas em si, o que mais o chateou naquele momento foi saber que seus familiares também tiveram de assistir seu sofrimento:

“Me chamaram de macaco, que tinha de voltar para a selva. Eu tenho família, filhos. A verdade é que nós suportamos muitas coisas. Eu suportei até onde consegui suportar, pois isso não é algo do futebol. Todos somos iguais, não sou diferente por minha cor de pele ou ser brasileiro. Temos apenas uma raça que é a raça humana. Eu nunca na minha vida tinha passado por isso.”

Serginho ainda relembrou o mesmo tipo de lamentável situação envolvendo o Blooming em 2016 onde o atual técnico da equipe, Erwin Sánchez, teria sido gravado proferindo ofensas racistas contra ele. Fazendo o adendo de que sua família está tão triste ao ponto de, nesse momento, não querer mais ficar na Bolívia.

De sua parte, apesar de visivelmente abatido, o jogador de 34 anos de idade garante que continuará no Aviador unicamente pelo amor e gratidão que possui pela equipe de Cochabamba.

“Minha família em casa, meus filhos, só conseguiam chorar o tempo todo. Tenho um filho de 11 anos e uma filha de 10 que só choravam porque estavam assistindo a partida e sabiam o que estava acontecendo. Quando afeta ao homem nós suportamos, mas quando afeta a nossa família é algo a se repensar (sobre permanência). Eu falei com o corpo diretivo e a verdade é que a minha família quer ir embora da Bolívia, não quer mais ficar”, mencionou Serginho.

“Eu não tenho nada a esconder, eu vou ficar porque amo esse clube. Não tenho que fazer média com ninguém. Desde quando cheguei aqui, o clube, a torcida, meus companheiros sempre me apoiaram, nunca me abandonaram em nenhum momento. Desde quando aconteceu o episódio em 2016 com o Blooming e depois contra o Destroyers eles nunca me abandonaram. Então não será por isso que irei embora”, finalizou o atleta brasileiro.