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Cinco motivos para a Copa do Mundo de 2022 ser inesquecível

Uma das razões mais potentes será aquela que pode ser a última oportunidade de nomes "pesados" disputarem uma Copa do Mundo
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*Por Agência Conversion

A turma do 32

Em novembro de 2022, quando a Copa do Mundo do Catar começar, o argentino Lionel Messi terá 35 anos (ele fará 32 no dia 24 deste mês). Ainda que seja possível que esteja liderando o Barcelona (Espanha) nos torneios europeus daqui três anos e, assim, seja o 10 da Argentina no Catar, dificilmente ele chegará ao Mundial da América do Norte, em 2026 – quando terá 39 anos – em grandes condições. Diego Maradona, por exemplo, encerrou sua participação em Copas em 1994, com 33 anos, apesar das polêmicas envolvendo drogas.

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Levando tudo isso em consideração, a próxima Copa é a última chance do argentino ganhar o título mundial pelo seu país – que bateu na trave em 2014, no Brasil – e mesmo das gerações atuais vê-lo disputar o campeonato mais importante do futebol.

O mesmo vale para os uruguaios Luis Suárez e Edinson Cavani, ambos com 32 anos, e para os chilenos Arturo Vidal (32) e Alexis Sánchez (30). Todos eles, com exceção desse último, terão 35 anos no Catar. Pode ser o último Mundial ainda de nomes que encantaram o continente por suas seleções nos últimos anos, como o colombiano James Rodríguez (31 anos na Copa).

Sem contar nomes como o peruano Paolo Guerrero (35), o colombiano Falcao Garcia (33) e o brasileiro Daniel Alves (39), que têm poucas chances de disputar o torneio de Catar, mas se forem, estarão no fim de suas carreiras. Assim, o Catar marcará o fim de toda uma geração de craques do futebol sul-americano, sendo que nem todos os países conseguiram formar novas (e boas) safras.

A geração Neymar

Muitos jornalistas esportivos já afirmaram que consideram a Copa do Catar, em 2022, a última chance de Neymar – o principal futebolista brasileiro do século XXI – vencer um Mundial com a Seleção Brasileira: daqui três anos, ele estará com 30. Neymar chegará ao Catar com 30 anos, quase a mesma idade que Messi tinha no Mundial da Rússia, em 2018.

Mais do que Neymar, a geração que foi a Rússia no ano passado será modificada, o que significa tanto a despedida de uma safra quanto a chegada de outra – uma Copa de transição para o futebol brasileiro. Enquanto nomes como Cássio, Fagner, Paulinho, William, Marcelo, Filipe Luís, Geromel, Thiago Silva, Miranda, Renato Augusto, Fernandinho e Taison tiveram suas últimas chances em 2018, outros estarão provavelmente assumindo os postos na Seleção Brasileira, como Richarlison, Vinícius Jr., Rodrygo, Felipe Anderson e David Neres – sem contar nomes que podem crescer nesses próximos anos, como Pedrinho, do Corinthians, Anthony, do São Paulo, e Renan Lodi, do Athletico.

Lusail City

A cidade que receberá a abertura e a final da Copa do Mundo do Catar, no dia 18 de dezembro de 2022, ainda está sendo construída. Localizada a 23 quilômetros ao norte de Doha, capital do país do Oriente Médio, o ambicioso projeto desenvolvido pela Qatari Diar Real Estate Investment começou há oito anos e transformou o que antes era deserto solitário em um imenso canteiro de obras.

O plano de Lusail inclui duas marinas, shoppings, lojas de luxo, áreas de lazer e entretenimento, áreas residenciais, dois campos de golfe, um zoológico, praias de areia branca, estádios e pistas de corrida. Toda a área vai possuir, quando pronta, cerca de 35 quilômetros quadrados.

A empresa responsável pela infraestrutura do Catar para a Copa, informou no mês passado que completou mais de 80% do projeto e, em maio, o CEO da empresa, Nabeel Mohammed Al Buenain, disse em entrevista ao jornal The Peninsula Qatar que serão gastos R$ 40 bilhões para desenvolver a estrutura, os serviços e outras facilidades na nova cidade.

Ele ainda contou que o plano é acomodar 450 mil pessoas, incluindo 250 mil moradores, 190 mil trabalhadores de escritórios e cerca de 60 mil empregados no setor de varejo. A empresa ainda trabalha para levantar postos de gasolina, hospitais e escolas privadas no local.

O estádio da Copa será chamado de Lusail Iconic Stadium, com capacidade para 86 mil pessoas e localizado ao lado da estrada da cidade. A obra é um projeto do arquiteto alemão Albert Speer Jr., filho de um dos últimos ministros e arquiteto do ex-líder alemão Adolf Hitler. Speer morreu recentemente, deixando os trabalhos nas mãos de outro arquiteto do seu país: Norman Foster.

O mundo árabe

O Catar venceu as propostas de Austrália, Japão, Coreia do Sul e dos Estados Unidos em 2010 para ter o direito de sediar a Copa, se tornando o primeiro país árabe a recebê-la. Uma das promessas à época era criar um legado para o Oriente Médio. No final de outubro, o presidente da Fifa, o ítalo-suíço Gianni Infantino, visitou as obras dos oito estádios que vão receber as partidas do Mundial, além dos centros de treinamento e hotéis das delegações.

“Você pode ver o progresso que está sendo feito aqui quatro anos antes da bola rolar”, comentou ele, segundo reportagem da rede Al Jazeera. “Eu acredito que a Copa é extremamente importante, não apenas para o Catar, mas para toda a região que é apaixonada por futebol e está investindo muito nisso”, completou.

Hassan al-Thawadi, secretário-geral do Supremo Comitê de Entrega e Legado, disse que o Mundial não vai servir apenas para fortalecer o futebol na região, mas como terá efeitos positivos em todo o Oriente Médio, economicamente e socialmente. “Nós estamos trabalhando para alcançar todos os benefícios possíveis para o Catar, para o Oriente Médio e para o mundo árabe”, pontuou.

E apesar de uma crise diplomática iniciada em 2017, quando os vizinhos do Golfo Pérsico, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Bahrein, cortaram relações políticas, diplomáticas e econômicas com o Catar, impondo, além disso, um embargo por terra, ar e mar aos cataris na península, os Emirados Árabes se ofereceram para receber e participar da Copa de 2022 recebendo partidas do torneio – estendendo o sediamento para outro país.

Aref al-Awani, diretor de competições para a Copa da Ásia, que foi disputada nos Emirados, admitiu que, embora não tenha acontecido nenhuma aproximação com a Fifa nem com a federação catari, o país está disposto em ajudar no que for necessário. “Se a Fifa propusesse isso, nós certamente olharíamos para o impacto econômico e as oportunidades midiáticas”, disse ele, segundo a rede al-Jazeera. “É bom para o futebol na região. O esporte, para nós, é trazer todo mundo junto”, completou.

Novo calendário

A Copa do Catar começará no dia 21 de novembro e terá a decisão disputada no dia 18 de dezembro – feriado nacional no Catar. Por causa do calendário modificado, a Uefa vai mudar a agenda de jogos da Liga dos Campeões e, da mesma forma, os grandes campeonatos europeus, sul-americanos e asiáticos também vão modificar seus planejamentos. O torneio no Oriente Médio vai durar 28 dias, quatro a menos do que os 32 da Rússia.

A Fifa ainda não decidiu os horários das partidas no Catar, país que está três horas à frente dos fusos da Europa (cinco do Brasil). A possibilidade de jogos nos fins de tarde e durante a noite é maior. “Mais de três bilhões de pessoas ao redor da Ásia e da Europa vão se beneficiar do horário do Catar durante a Copa graças aos horários convenientes dos jogos”, afirmou recentemente o comitê organizador local.

A expectativa também se dá por causa do calor: no verão catari, as temperaturas alcançam os 40°C, o que, durante o dia, pode inviabilizar uma partida. Os jogadores europeus (que usam mais o ar-condicionado inverter do que o modelo normal em suas temporadas frias) esperam que, durante seus jogos, o clima esteja mais ameno. O governo do Catar diz que, a temperatura média entre novembro e dezembro varia entre 18°C e 24°C, “perfeito para a prática de futebol”, afirmou. Certamente será o Mundial mais quente da história – ou vai competir com as altas temperaturas dos jogos da Copa de 1994, nos Estados Unidos.

Mohamed Ahmed, administrador do Khalifa International Stadium, um dos palcos da Copa, disse recentemente que sua equipe está cultivando campos de grama no deserto, que depois são enrolados como tapetes e enviados a outras áreas estéreis do país. O grupo já juntou 10 mil árvores pelo Catar e do exterior, alimentando-as em tendas sombreadas. As plantas não crescem facilmente em Doha, que consegue ter cerca de três pancadas de chuva por ano. No entanto, a Copa requer vegetação: não apenas para a cidade e para amenizar o calor, mas para os campos.