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Com futebol brasileiro no alvo, governo chinês quer ampliar investimentos na América Latina

Foco de grandes investidores asiáticos na nova economia do país, além de outros setores, também está voltado ao futebol brasileiro
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Durante 80 anos, os EUA foi o maior parceiro comercial do Brasil até que a China assumisse esse posto em 2009 e não largasse mais. Em muito graças ao investimento de importação de commodities agrícolas e minerais, via empresas tecnológicas como, por exemplo, a Didi que investiu alto na aquisição do aplicativo de transportes particulares 99 e a Mobike, que fez um acordo com a prefeitura de São Paulo para colocar à disposição da população mais de 80 mil bicicletas para serem compartilhadas.

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Após a eleição de Donald Trump como presidente norte-americano em 2016, a China, como parte de sua modernização econômica, procura investir diretamente na América Latina, mais precisamente no Brasil. Parte dessa “investida” chinesa que contava já em 2015 com a intenção de aplicar 250 bilhões de dólares (R$ 960,7 bilhões) na América Latina como um todo envolve diretamente o que é considerado como setor de entretenimento, entrando nessa esfera o futebol brasileiro.

De maneira “modesta”, alguns investimentos já foram feitos como a compra do Desportivo Brasil em 2014, clube de ampla estrutura no interior de São Paulo com foco na formação de atletas, além de algumas outras ações. Porém, agora eles querem alçar voos mais altos com uma quantia.

Bilionários chineses como Wang Jiang, dono do gigantesco conglomerado Wanda Group que detêm os naming rights do moderno estádio do Atlético de Madrid (Espanha), e até mesmo o atual presidente do país, Xi-Jinping, são fãs de futebol e querem alavancar a modalidade no país a todo custo. Para isso, contam com o apoio do que eles consideram como “o melhor futebol do mundo”: O brasileiro.

Para o especialista britânico Mark Dreyer, dono de um renomado site inglês que fala sobre o futebol chinês de nome China Sports Insider, os chineses ainda não entraram “de cabeça” com investimentos mais altos no Brasil pela “falta de credibilidade” dos dirigentes brasileiros.

Para ele, esse é um fator determinante para escolherem países como, por exemplo, Espanha, Inglaterra e Portugal para investirem seus patrimônios. Porém, eles acreditam que os resultados não estão sendo compatíveis com os valores investidos e estão buscando mudança de ares.

No final do mês de março em um evento na cidade de Nanning, região sul da China, Mark falou publicamente que esteve com um dos homens fortes do Wanda Group que lhe disse que já existe uma parceria em andamento com uma equipe grande do Brasil e que já assinaram contrato com direito a altos valores enviados.

Quem intermediou as negociações foi a empresa BSI Soccer, companhia de agenciamento esportivo atuante no mercado Asiático, em tratativas que envolveram o envio de alguns atletas chineses entre 13 e 16 anos para “estagiarem” no Brasil. Além disso, o acordo envolve a cessão de direitos econômicos de alguns atletas brasileiros que estão na base dessa equipe havendo “trânsito aberto” para colocarem os atletas que quiserem nas categorias de base dessa equipe em conjunto com a BSI Soccer.

Os nomes são mantidos em sigilo, segundo a BSI, “por questões de ética e contratuais com a equipe em questão.”

O especialista do portal britânico Mark disse ainda que a sua projeção é que, mesmo com o problema de confiabilidade dos chineses em relação a quem comanda o futebol brasileiro, a influência do aporte asiático deve crescer substancialmente nos próximos três anos:

“Eu acredito que até o ano de 2021 os chineses estarão bem presentes no futebol brasileiro. Eu conheço o trabalho de alguns agentes e empresas que vem colaborando muito para esse feito, alguns como o próprio Joseph Lee que ajudou na compra do Desportivo Brasil, outras empresas como a BSI Soccer que conheci aqui o presidente da empresa, Fábio de Souza, que vem tentando realizar essa intermediação da melhor forma possível. Mas, realmente, muitas vezes as coisas não andam devido aos dirigentes de clubes brasileiros que, na maioria, só querem usufruir da verba das empresas chinesas e não oferecem as contrapartidas como eu mesmo observei recentemente com algumas ações que vinham sendo realizadas no Brasil e por fim ainda não se efetivaram devido a essa questão.”

Quem é a BSI Soccer?

Foto: Arte BSI Soccer

A BSI Soccer é uma das únicas empresas de intermediações esportivas atuante na China e com ações também no futebol brasileiro.

Recentemente, a empresa esteve em evidência atuando nas tratativas da compra do Nacional-AM pelos chineses. Entretanto, depois de acordo em estágio avançado, a parceria não se efetivou por questões políticas e internas do clube segundo avaliação da BSI. Algo que, inclusive, culminou na troca de presidente do clube e de toda a diretoria.

Presidida pelo ex-jogador Fábio de Souza, que teve sua carreira dentro das quatro linhas voltada ao exterior em países como México, Bélgica, Ucrânia e alguns países asiáticos, a empresa também é administrada por um grupo de contadores e advogados paulistanos. Com matriz em São Paulo, a companhia possui filiais também no México e na China e, recentemente, canalizou suas forças em intermediar parcerias de estatais chinesas e clubes brasileiros.