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Greve Platina: relembre a maior greve que já aconteceu no futebol sul-americano

Nesse período, as seleções dos dois países também se envolveram nos protestos e ficando de fora de torneios oficiais até a década de 1950

*Por Juliano Rangel

Na última terça-feira (20), um capítulo inédito na história do Figueirense foi escrito na Arena Pantanal, em Manaus, após a equipe ser derrotada por W.O. para o Cuiabá, pela Série B, depois que os jogadores se negaram a entrar em campo alegando a falta de pagamentos dos salários do elenco do time principal, das categorias de base e dos funcionários.

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Pegando gancho neste assunto, que pode render novas derrotas por W.O. para o clube catarinense, o Futebol Latino relembra a maior greve do futebol sul-americano, que, literalmente, parou o futebol na Argentina e no Uruguai, a Greve Platina.

Considerado o maior e mais longo movimento de paralisação do futebol da América do Sul, as manifestações começaram no Uruguai, em 15 de outubro de 1948, e só depois cruzaram o Rio da Prata até chegar à Argentina. As motivações para a paralisação eram os baixos salários que eram pagos aos jogadores dos clubes pequenos e a lei de passes que os tornava os atletas escravos dos dirigentes. No Uruguai, grandes nomes de Nacional e Peñarol se negaram a entrar em campo até que essas duas questões fossem resolvidas.

Esses mesmos jogadores chegaram a pedir dinheiro na rua para se sustentar e também para ajudar seus os atletas menos afortunados. Do outro lado, os cartolas, fundaram clubes fictícios e realizaram amistosos em campos de várzea de Montevidéu, com a renda revertida a um fundo que seria distribuído entre os sindicalizados da Mutual Uruguaya de Futbolistas Profesionales (contrário aos jogadores e a favor dos dirigentes).

Na Argentina, a greve começou no dia 1º de novembro de 1948, por meio de decreto de paralisação geral promovido pelo sindicato local (Futbolistas Argentinos Agremiados). Ao contrário do Uruguai, que nunca teve o campeonato daquele retomado, no país o campeonato seguiu, mas sem o Racing, que liderava antes da paralisação e que se recusou a entrar em campo nas duas rodadas finais.

Com medalhões de vários clubes se negando a entrar em campo, os dirigentes dos clubes albicelestes resolveram utilizar de atletas juvenis para manter a sequência do campeonato. No dia 5 de dezembro daquele ano, no Uruguai, para dar mais notabilidade aos protestos, os sindicatos de jogadores argentinos e uruguaios se enfrentaram em um amistoso que levou a campo estrelas como Di Stéfano, Loustau, Obdulio e Schiaffino.

Já no ano seguinte e obtendo conquistas, as paralisações começaram a ser encerradas. No Uruguai, a greve terminou no dia 3 de maio 1949, com os jogadores obtendo uma relativa liberdade de transferência, abolindo o sistema de “cinco jogos” (segundo o qual, após fazer cinco partidas por uma equipe o atleta pertencia a ela pelo resto da vida, a menos que o dirigente aceitasse transferi-lo), garantindo que os atletas ganhariam 10% sobre o valor de seus passes a cada transferência e o reconhecimento do sindicato dos jogadores.

Já na Argentina, as paralisações acabaram no dia 4 de maio de 1949, com os resultados não sendo muito satisfatórios para os jogadores. O governo local até aprovou alguns benefícios como piso salarial para os futebolistas, mas também estabeleceu um teto considerado baixíssimo. Isso resultou numa debandada dos maiores craques do país, a maioria deles seguindo para Colômbia, que iniciava seu período de ouro e com muito dinheiro. Jogadores como Di Stéfano foram atuar no futebol cafetero.

Nesse período, as seleções dos dois países também se envolveram nos protestos, com Uruguai e Argentina ficando de fora de torneios oficiais até 1950 e 1955, respectivamente. A AFA ficou sem estrelas para convocar a seleção que interrompeu suas atividades, não disputando a Copa América de 1949 e a Copa do Mundo de 1950, ambas realizada no Brasil.

Já o Uruguai, por sua vez, mandou um fraco time juvenil para a Copa América de 1949, mas conseguiu se recuperar a tempo para disputar e conquistar a Copa do Mundo de 1950, no Maracanã e diante do Brasil.

*Com informações do site Impedimento

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